Meio Ambiente, meu bairro, meu quintal pede socorro
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sexta-feira, 15 de agosto de 2025
Texto anônimo, de um morador de comunidade da zona Oeste – Vargem Pequena SOBRE A CRIAÇÃO DA ZONA SUDOESTE
Texto anônimo, de um morador de comunidade da zona Oeste – Vargem Pequena
SOBRE A CRIAÇÃO DA ZONA SUDOESTE
Os políticos da zona oeste adoraram , pois eles viam com certeza a maioria da grana
sendo investida na barra e o recreio , agora desta forma eles poderão focar mais em
seus redutos da pobreza.
Nosso prefeito já se manifestou que vai assinar embaixo.
Criação da Legitimidade dos Fatos, isso ai ja acontece a muitos anos , o desrespeito pelo
poder publico a Zona oeste mais povbre e flagrante , agora eles partirao pra cima dos
pobres da zona Sudoeste
A Fazenda Parque Recreio, na Estrada Benvindo de Novaes, uma propriedade privada
no Recreio dos Bandeirantes, é atualmente objeto de um grande projeto de urbanização
e de construção de unidades residenciais, por iniciativa da empresa Ombrello. Ela tem,
aproximadamente, 1.580.000 m2, sendo uma área de grande interesse ambiental e
paisagístico. Ela está situada entre os canais do Portelo e do Cortado, e entre os morros
do Portelo e do Urubu de um lado, e do Amorim do outro. Esses três morros são
tombados pelo Estado do Rio de Janeiro e possuem áreas de preservação de sua
ambiência que vão além das áreas dos tombamentos. É também uma área protegida
pela APA do Sertão Carioca e pelo Refúgio de Vida Silvestre Campos de Sernambetiba, o
que leva a diversos questionamentos sobre o acerto de tal ocupação.
O projeto propõe a construção de vias de circulação, áreas para comércio e
equipamentos públicos, e 153 blocos de apartamentos com seis pavimentos cada. Estes
blocos teriam apartamentos de dois e três quartos, totalizando 9.799 unidades
residenciais. Mais de dois terços dessas unidades seriam de apartamentos de dois
quartos. A projeção de ocupação seria escalonada, indo até 2040, quando os 20% das
edificações restantes seriam construídas. Ao final desse processo, a população total
prevista seria de 35 mil novos habitantes.
Em nenhum momento a mídia fala que e uma área de conservação eles de forma sútil
colocam que tem interesse ambiental.
Comparando-se a outras áreas da cidade, o índice de aproveitamento do terreno – IAT
de 1,0 não é alto. O projeto prevê que as áreas permeáveis venham a somar 70% da área
total. Mesmo assim, é uma mudança drástica em relação à situação atual de
permeabilidade quase total. Mais uma vez é importante lembrar que o terreno está
situado numa APA e num refúgio da vida silvestre. E há que se ver se o projeto atende
às exigências dos tombamentos dos morros próximos.
A Fazenda Parque Recreio, de propriedade dos herdeiros do empresário Pasquale
Mauro, tem em sua história um grave incidente trabalhista. Em 2008, cerca de 70
pessoas foram encontradas em situação análoga à escravidão. A ação conjunta do
Ministério Público do Trabalho no Rio de Janeiro, da Superintendência Regional do
Trabalho e da Polícia Federal constatou essa situação de servidão por dívida, salários
não pagos, alojamentos impróprios e carteiras de trabalho retidas.
A área do Recreio dos Bandeirantes vem se adensando rapidamente nos últimos anos,
após um crescimento vertiginoso, e ainda em curso, da Barra da Tijuca. É um bairro
quase no limite Sul do Município, que ainda guarda uma ocupação do solo pouco densa.
Essa baixa densidade de ocupação já foi perdida em outras áreas da cidade, e não
deveria interessar à cidade vir a perdê-la ali também. A possível ocupação da Fazenda
Parque Recreio é um contrassenso já que, enquanto a Prefeitura licencia novos
empreendimentos em áreas ambientalmente frágeis e distantes do núcleo da
metrópole, a Zona Norte perde população em ritmo acelerado e a Área Central continua
esvaziada.
O Relatório Mensal de Acompanhamento do Programa Reviver Centro, emitido pela
Prefeitura do Rio de Janeiro, informa que de 2021, quando teve início o programa, até
junho de 2025, 4.448 unidades residenciais foram licenciadas. Este número não significa
unidades construídas, e representa menos da metade do que apenas o
empreendimento Fazenda Parque Recreio pretende lançar. Um único empreendimento
no Recreio é capaz de ultrapassar de forma avassaladora o que há anos se tenta
conquistar no Centro. E há dezenas de outros empreendimentos assim, em curso ou
programados, para a Barra e o Recreio. É evidente que nesse ritmo, e sofrendo a
concorrência de centenas de lançamentos imobiliários em áreas não prioritárias para o
adensamento populacional na cidade, o programa Reviver Centro não tem como ganhar
impulso e alcançar o objetivo de trazer uma quantidade significativa de novos
moradores para o Centro.
A Prefeitura do Rio de Janeiro se faz refém dos interesses do mercado imobiliário,
comprometendo os seus próprios programas, como o Reviver Centro. Uma solução
nunca aventada pela Prefeitura seria o congelamento, ou a restrição, do licenciamento
de novos imóveis residenciais em áreas não prioritárias para adensamento populacional,
conforme definido nos dois últimos Planos Diretores. Para quem tem dúvidas se isso é
possível, basta ver o Decreto nº 56.457, de 25 de julho de 2025, que suspende por seis
meses, prorrogáveis por igual período, o “licenciamento de construção, edificação,
acréscimo ou modificação de uso” na área do Arpoador. Tal Decreto é motivado pelo
interesse da Prefeitura em direcionar para aquela área a construção de hotéis.
Sem discutir a validade da proposta da Prefeitura para o Arpoador, o que interessa aqui
é saber que é possível sim a Prefeitura definir uma política urbana e implementá-la,
usando o instrumento do limite a novos licenciamentos. Isso significaria que a Prefeitura
tomaria as rédeas do desenvolvimento urbano da cidade, deixando de estar ao sabor
dos interesses do mercado imobiliário.
Não bastam belas palavras e juras de adesão a propostas de desenvolvimento
sustentável. Permitir o crescimento espraiado da cidade, apenas para contentar o
mercado imobiliário, é um erro grosseiro. É hora de implementar de verdade um
programa de ocupação de vazios urbanos na Área Central do Rio de Janeiro e de
recuperar a qualidade de vida na Zona Norte.
Na segunda parte da matéria aí sim, eles não podem esconder a verdade.
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